FLUGAS LA PENSO

La vivo iras, kaj iras,

mia penso flugas,

kiel birdo.



Ho Dio!

Kiom da tempo mi estos arestita

de ĉi tiaj senliberaj agoj?



Mi ne scias...

mi pensas, kaj pensas,

sed mi ne konas min!



Kiel estos morgaŭe?

Ĉu vi scias?

Mi ne scias,

Ĉar mi flugas,

mia penso flugas,

kiel birdo,

kiel manka homo,

kiu flugas

serĉe branĉeton por sidiĝi,

kaj pli bone vidi la vivon,

eble,

por danki Dion,

per miaj senfinaj nekontentaj flugiloj.

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Traduko al la portugala lingvo

(tradução):

A vida vai e vai/meu pensamento voa/como um pássaro/Ó Deus!/quanto tempo eu estarei prisioneiro/destas íntimas ações/

Eu não sei/eu penso e penso/mas não conheço a mim mesmo/

Como será o amanhã?/você sabe?/ eu não sei/porque vôo/meu pensamento voa/como um pássaro/como um carente ser humano/buscando um galho para pousar/ e melhor poder observar a vida/talvez/para agradecer a Deus/por minhas infinitas e insatisfeitas asas.






A MANSÃO DOS RAMOS

Prédio do Badesc - tombado, próximo a antiga Mansão dos Ramos - contemporâneo
A última árvore, o último reduto de vida naquele lugar, havia caído, derrubada pelas máquinas do concreto. O sol estava quente e bonito às dez horas da manhã. Da minha janela eu observo o canteiro das três obras simultâneas que são agora a antiga mansão do governador já morto mais famoso de Santa Catarina: O Dr. Celso Ramos.
Quando ele chegou... chegou nervoso e falante, pousou na minha janela com uma folha seca no bico e um olhar indignado. De tanto esbravejar no seu cantar palrador e irritado deixou a folha cair, mas sem desgrudar seus olhos de mim, sem dar importância à folha.
Aproximei-me lento e lhe disse algumas palavras, numa tentativa de consolá-lo. Minha companheira, vendo a cena, foi dura conosco, prática e fatal, comigo e com o pequeno pássaro de peito amarelo e muito meu conhecido, pois nos víamos sempre, eu da nossa casa, ele da dele, na última árvore que tombara, grudada à uma pequena gruta da família Ramos que escapara da histórica destruição da mansão.
A gruta sentiu o impacto dos tratores já há alguns meses, debaixo de poucos olhares e também do meu, dessa mesma janela - meu posto de observação. A gruta de pedra também foi abrigo de outras vidas, irregulares - as humanas - pois nela viveu um bêbado que recebia visitas de amigos, do álcool e do fumo, e que vez por outra era apedrejado pelos adolescentes moradores das imediações.
Das centenas e centenas de pássaros de diferentes bandos que habitavam o lugar, não vou falar.Quando, exatamente, o bêbado partiu, eu não vi, mas o último pássaro foi embora após apertar meu coração até doer uma dor física mesmo. Não adiantou nada dizer-lhe que eu não tinha culpa, que eu não tinha nada a ver com essa sanha destrutiva e de avidez mercenária que tomou conta do planeta Terra, pois soube perfeitamente, pelo tom do seu chilreio e a indignação do seu olhar, que ele falava conosco, com todos nós, a nossa bela humana raça desumana.

HOMENAGEM A UM GRANDE ESCRITOR GAÚCHO - APARÍCIO SILVA RILLO

-->História do Rio Grande do Sul em versos, com metáforas brilhantes, sem dúvida. Abro o meu espaço para um grande mestre:

ALMA PAMPA  (Apparício Silva Rillo)

Os ossos
como signos de cal.
a ferrugem
nos ferros enterrados.
Alicerces de pedra-moura
naufragados
sustentam século e meio de madeiras
roídas pelos ratos da intempérie.
A memória do vento
guarda o berro do boi
e o relincho de guizos dos potrilhos.
Por debaixo do pasto
a cicatriz das cambotas das carretas
-as que gemeram cargas nos repechos
e atropelaram bois-do-coice nos lançantes.
No palanque de pau-ferro
-dentre tudo o que tombou o que resiste –
a pátina do cerne
e nela a caligrafia da marca-de-ferro dos senhores
-desses de que resta a identidade
Nos papéis imperiais e batistérios.

Aqui foi a Estância...


Exatamente aqui,
nesta fralda de cerro
que se derrama até o risco do horizonte
a sublinhar-se no céu que beija a terra.
Os aramados,
as tipas arrozeiras
aprendem geometria nestes rasos
onde cavalos de guerra e seus ginetes
mediram arrobas de audácia nos combates
que a História resguardou em seus retratos.

Quando a Terra de Ninguém se tornou pátria
o braço miliciano ergue a estância
trocando a espada pelas boleadoras.
Ninho e fortim
a um passo da fronteira
-de um lado o português,
do outro o castelhano -,
era um pássaro de pedra, vigilante,
como um topete bagual vinchado a cores
de brasões imperiais e de bandeiras!

II
Foi a pega do boi,
foi a doma do potro,
a rendição dos cucros e alçados
aos instintos dos bugres e mestiços,
-esses os donos legítimos da terra
que o Império repassou,
em papéis brasonados,
a áulicos,
guerreiros,
comandantes...
III

Era o campeiro a se formar no tempo
moldando aos poucos a futura estampa
do que seria, mais tarde, o construtor
da economia pastoril do pampa.


Fomos vê-lo, depois, ao sul do Continente,
já misto de gaudério e de soldado
-trabuco à mão e cabeleira ao vento,
como um duende a cavalo na Campanha =
a rechaçar as ambições de Espanha
nos muros da lendária Sacramento!

Peleou em Santa Tereza,
Na Vila do Rio Grande e São Miguel.
D. Jan Salcedo conheceu-lhe as manhas
quando o grande capitão Pinto Bandeira
passou como um tufão por estes nortes
retomando os bastiões de Portugal.

Conquista das Missões, anos depois.
Aventureiro e soldado, acompanhou
Pedroso e Borges do Canto nesta gesta
que foi um bronze sonando de bravuras.
Não ais que quarenta valentes galopando
-os que deram a Portugal o comarcado
que tem o rio Uruguai na extremadura!

Da simbiose do guadério e do soldado
-acabada expressão do trabalho e da guerra-
um novo tipo social então surgia
quando o Século Dezenove amanhecia
nos horizontes de um nova t4erra.

IV

E os anos foram passando...
Gente morria e nascia.
Só a estância continuava
nas léguas de sesmaria.

Campanha da Cisplatina,
o Decênio dos Farrapos.
A Guerra do Paraguai
levando os tauras dos ranchos,
deixando as mulheres sós.


Um dia, Noventa e Três
lançando irmão contra irmão
e a degola a fio de faca
plantando rubros no chão.

Os chefes, quando voltavam
do fumo destas batalhas,
no largo peito ostentavam
medalhas de prata e ouro,
enquanto os peões mostravam
-a láurea dos infelizes!-
O rasgão das cicatrizes
cunhadas no próprio couro.

V

A ampulheta do tempo e sua areia
A escorrer como um rio as suas águas...
E,
De repente,
A mudança inexorável!

O campo se transforma
O trabalho se transforma,
O patrão se transforma,
As mulheres e homens se transformam.

É o alambrado que chega.
É o potreiro que chega.
É a mangueira que chega.
É a estrada que chega.
É o trem-de-ferro que chega.
É o moinho-de-ferro que chega.
E se põe a girar,
A girar
e a girar,

como a Vida girou
e em seu giro passou
o peão a “pião”:
um brinquedo a rodar
na poeira do chão,
à sombra de sua sombra
sob a sombra do patrão.

VI

Os de hoje,
Viemos desses ossos e destroços,
Desses rasgões no couro e desses ouros!
Viemos do relincho dos potrilhos,
do laço a tironear aspas de touros!

Os de agora,
viemos do churrasco e da caúna
verdeando mates pelas madrugadas!
Das arreadas de alçados, dos rodeios,
do seio de uma gaita e seus gorjeios,
do relâmpago de adagas na peleias,
dos cemitérios de campo e das taperas.

Temos os traços ancestrais dessas figuras
aprisionadas no recuerdo dos retratos
que sustentam paredes na molduras.

As carretas do tempo sofrem eixos
a sustentarem cargas de naufrágios
de que somos herdeiros e salvados.

Os do presente,
os de hoje,
os de agora,
Somos ponteiros dessa trajetória,
fímbrias gizadas a contar do centro
no cerno de pau-ferro dessa estampa.

Por isso a vertical de nosso orgulho
que se levanta, gaúcha e pêlo-duro,
da alma pampa que nos há por dentro!